Avalone

QUADRINHOS
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Aqui apresento meu histórico 
profissional abrangendo
exclusivamente o período
de vinte anos em que fui
autor de quadrinhos
(roteirista e desenhista),
de 1969 a 1989.

Desde 1990 eu não faço mais
quadrinho autoral, trabalhando apenas
com ilustração editorial infantil.

Meu portifólio com ilustrações para
livros infantis e didáticos está em
www.avalone.art.br

 

CARRAPICHO

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ESPOLETA

 


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START
Comecei a trabalhar com desenho aos 16 anos de idade, na Start Filmes, no final de 1969, auxiliando na arte-final para desenho animado publicitário. Foi graças a uma indicação do meu professor de inglês, sr. Santana, amigo do dono da Start. Além do Walbercy Camargo, diretor e principal animador, naquela época estavam lá também o Cesar Sandoval iniciando na animação fazendo intercalações, o Norio na arte-final, um irmão do Walbercy nas filmagens e eu que pintava no verso dos acetados. Mas o meu objetivo naquela época já era história em quadrinhos e então criei o personagem Severino Espoleta, que viria a ser publicado só três anos mais tarde.

SEVERINO ESPOLETA
Em janeiro de 1972 o jornalista Roberto Abrahão, então editor do Clubinho, suplemento infantil dominical do jornal Diário de S. Paulo, inicia a publicação do primeiro personagem de quadrinhos de minha autoria. O Sergio Militello ilustrava as capas e algumas páginas de quadrinhos. Eu passei a utilizar as duas páginas centrais coloridas, publicando todos os domingos um capítulo das histórias de Severino Espoleta. Eu tinha 17 anos.

TURMINHA SAPECA
Já no ano seguinte, 1973,
entrei para o seleto grupo de autores que conseguiriam a proeza de colocar uma revista em quadrinhos nas bancas com distribuição nacional. Lancei pela Editora Saber a Turminha Sapeca , revista mensal e colorida, com aventuras do trio Severino Espoleta, Gabiroba e Pixaim. Eu desenhei duas edições mas só a primeira foi pras bancas. Ainda naquele ano Severino Espoleta passou a se chamar simplesmente Espoleta e também ganhou cinco páginas como complemento da revista mensal de aventuras Akim, da Editora Noblet.

ESPOLETA
Em 1974
lancei pela Editora Noblet a revista mensal colorida Espoleta, com distribuição nacional [CAPA1] [CAPA2].  O editor Joseph Abourbih chamou o Ivan Saidenberg para me ajudar com os roteiros (por questões contratuais, o Ivan pediu para colocar no expediente o nome de sua esposa Theresa, ao invés do seu próprio). Eu criei quatro edições e parei de desenhar por causa de divergências com o editor. A editora ainda publicou a revista por mais nove meses, utilizando o título Espoleta indevidamente e inserindo HQs de Paulo Hamasaki.

DISNEY
Ainda em 1974 o quadrinista e ilustrador Edmundo Rodrigues me apresentou a Jorge Kato, da divisão Disney da Editora Abril, ainda na Av. Brig. Faria Lima. Depois de um período de treinamento com Jorge Kato e Primaggio Mantovi, passei a ser frila fazendo desenho e arte-final de histórias Disney. Minha participação na produção de HQs dos patos foi pequena.

MAURICIO
Ainda em 1975 fui contratado por Mauricio de Sousa para integrar sua equipe. Nos primeiros dias eu fui incumbido de fazer o Jotalhão, passava o dia inteiro desenhando uma página. Lá pelas cinco da tarde o Mauricio encostava na minha prancheta, apagava tudo e refazia a página toda em dois minutos, explicando como deveria ser feito. Assim eu acabei aprendendo e fiquei lá cerca de um ano. Desenhei muitas histórias da Turma da Mônica e muitas tiras do Bidu. Eu realmente gostava de desenhar aquelas HQs, eu sentia empatia pelos personagens.
[FOTO1] [FOTO2]

PEROTTI
Em 1976
fui trabalhar no estúdio de Ruy Perotti. Eu desenhava e finalizava os personagens das revistas Gabola, Anjoca e Satanésio, de autoria do Perotti e publicadas pela Abril. Também escrevi alguns roteiros do Gabola. Além de quadrinhos o Perotti fazia desenhos animados publicitários, sendo os do Sujismundo e do Variguinho os mais conhecidos. Nesta época tive uma pequena participação na série animada "Este é um país que vai pra frente".

ABRIL 
Em 1977
o Perotti me apresentou ao Izomar Camargo, diretor do Estúdio Capas da Abril, que agora estava na Rua Bela Cintra, Consolação. Fui contratado e fiquei nove anos na equipe que criava as capas de todas as revistas da Divisão de Publicações Infanto-juvenis. O Estúdio Capas [foto] manteve praticamente a mesma turma durante toda sua existência. A formação principal foi: o diretor de arte Izomar Camargo, o chefe de arte Luis Podavin, os desenhistas Napoleão Figueiredo (Napa), Moacir Rodrigues, Henrique Farias, Paulo Renato da Costa Noeli, José Roberto Gregório (Parceiro), João Xavier de Campos (Jox), Natalino Ribeiro (Ringo), eu e mais os assistentes de arte Hideraldo Montenegro, Natanael Aleixo (Natan), Marcos Minoru, So Hi Kim e ainda o letrista José Belmiro. Eu fazia também alguns poucos frilas finalizando quadrinhos Disney para o setor do Primaggio. Criei, desenhei e finalizei capas para revistas Disney, Hanna-Barbera, Bolinha e Luluzinha, Pantera Cor-de-Rosa, entre outros. Eu desenhei e finalizei a primeira (e acho que única) história em quadrinhos do Bolinha produzida no Brasil, publicada pela Abril. Esporadicamente fiz também charges e cartuns para as revistas de humor Crás e Pancada, da Abril. Ainda durante este período exerci diversas atividades paralelas. Participei de exposição coletiva no SESC/SP, salão de humor de Piracicaba, ilustração de livros e revistas, páginas de HQ para house-organs e suplementos infantis de jornais.

TIRAS  
Em 1978 a Abril implantou o Projeto Tiras, um ousado e ambicioso sistema de distribuição de tiras diárias para jornais de todo o país, com participação majoritária de quadrinistas ligados à editora, dirigido por Ruy Perotti e coordenado por Wagner Augusto. Tendo 11 autores e um editor, nunca tinha sido feito nada parecido no Brasil até então. [FOTO]. O desafio era instituir um sistema comercial de produção e distribuição de tiras semelhente ao americano, um King Features Syndicate tropical, com o suporte da poderosa Editora Abril. Dentro desse Projeto criei tiras do Carrapicho que foram publicadas diariamente por dezenas de jornais de todo o país durante mais de um ano. Em 1981 o Carrapicho saiu também aos domingos na Folhinha, suplemento infantil dominical da Folha de S. Paulo.
Com a interrupção do Projeto Tiras da Abril eu ainda consegui manter a distribuição das tiras por minha conta por cerca de dois anos. Mas sem ter uma adequada estrutura de operação empresarial eu  não consegui manter o esquema.
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PERFIL DOS PERSONAGENS

O cangaceiro Carrapicho é o justiceiro de Vila Pedregulho, imaginariamente localizada no nordeste brasileiro.  Vive perseguido pelo poderoso Coroné Cascalho, um dominador político e econômico da região. Donzela Muriçoca é a moça  cobiçada pelo coroné, mas ela quer mesmo casar é com o Carrapicho, que não quer saber de conversa. Outros personagens completam o universo: os assistentes de cangaceiro Folha Seca e Faísca, o Padre Pedroca e ainda o  Cabo Firmino, que é o braço direito do Doutor Delegado.

Procurei dar às histórias do cangaceiro Carrapicho um cunho cômico apoiado no universo sertanejo e no cangaço do nordeste brasileiro. Apesar de estrutura regional, as aventuras do personagem transcendem o espaço geográfico e se tornam universais pelo tratamento dado às suas relações com o meio-ambiente e com a sociedade local. 

Embora à vontade no uso de uma linguagem carregada de neologismos e expressões regionais, tentei com o Carrapicho zelar pela correção ortográfica e gramatical nos diálogos e nos enunciados. Algumas vezes, porém, convenientemente brinquei com a gramática
em nome de uma "licença quadrinística".

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REVISTA CARRAPICHO

Neste mesmo ano de 1987, desenhando nas horas vagas durante um período em que trabalhei no Departamento de Artes do jornal A Tribuna, de Santos, em três meses eu já tinha pronto um projeto para publicação do Carrapicho em revista. Pedi demissão do jornal e apresentei o projeto para a editora Noblet, que já tinha publicado meu Espoleta cerca de dez anos antes. A editora topou e colocou a revista Carrapicho nas bancas.

[capa1] [capa2] [capa3] [capa4]
[pag1] [pag2] [pag3] [pag4] [pag5]


Simultaneamente eu fazia a revista de atividades Historinhas do Carrapicho

Enfim, após seis edições produzidas e quatro publicadas, a revista Carrapicho saiu de circulação.

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MUDANÇA DE RUMO


Em 1989 f
inalmente me convenci de que a tendência de encolhimento do mercado de quadrinhos era irreversível e o panorama ficaria cada vez mais restrito para quem fazia quadrinho autoral. E voltar a trabalhar em uma grande editora ou estúdio para desenhar personagens de outro autor já não me interessava tanto naquela época. Engavetei meus personagens e procurei outro rumo. Há mais de quinze anos não desenho uma só página de HQ. A última história que desenhei foi justamente naquele ano de 1989. Eu ainda tenho arquivadas algumas histórias inéditas. [inedito1] [inedito2] [inedito3] [inedito4]
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EDITORIAL

Em 1990 havia forte demanda por ilustradores no mercado de ilustração para livros infantis e didáticos. Recebi uma dica do Izomar e fui à editora Atica e à FTD. Sob direção de Milton Takeda e Claudio Cuellar, aos poucos fui me firmando nessa área da ilustração e passei a trabalhar também para outras grandes editoras: Moderna, Scipione, Saraiva, Atual, Paulinas. Envolvido com ilustração editorial, também escrevi alguns textos infantis, sendo um deles, intitulado Bola de Papel, publicado pela editora Casa Publicadora Brasileira na revista
Nosso Amiguinho de agosto de 2000.

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História inédita do Carrapicho disponível para download


Desde 2004 o site Nona Arte, a maior vitrine virtual dos quadrinhos brasileiros,
tem disponível para download uma história inédita do Carrapicho, de 1989, intitulada
"As Flores do Jardim da Nossa Casa".
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Mostra BQB - Bons Quadrinhos Brasileiros, abre com exposição do Carrapicho


Com iniciativa do jornalista Marko Ajdaric e o apoio cultural da Associação dos Artistas do Litoral
Paulista, foi realizada na primeira semana de Setembro de 2006 uma
exposição extremamente significativa do Carrapicho.

A mostra, intitulada BQB - Bons Quadrinhos Brasileiros, se abrirá a outros autores
de quadrinhos, tendo cada autor uma semana de tempo de exposição para sua obra.

A mostra BQB se idealiza na forma de exposição de ampliações heliográficas ou xerográficas de
boa qualidade de HQs de autores brasileiros (roteiro e texto) em locais de visitação pública, como hospitais,
clubes, shopping centers, livrarias, escolas, praias, centros culturais, etc.

Cada autor é apresentado por um texto biográfico e informativo, a fim de que os passantes
tenham como conhecer melhor sua produção. O intuito é promover o quadrinho brasileiro.

Marko Ajdaric, o idealizador da mostra, é jornalista especializado em quadrinhos
e editor do Neorama dos Quadrinhos , a maior newsletter sobre HQs do mundo.

O local desta fase inicial da exposição, que pretende se estender a outros espaços
culturais no futuro, foi o CREI - Centro de Referência em Emergência e
Internação do Hospital São José, em São Vicente, no litoral paulista.
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