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START
Comecei
a trabalhar com desenho aos 16 anos de idade, na Start Filmes, no final de
1969, auxiliando na arte-final para desenho animado publicitário. Foi
graças a uma indicação do meu professor de inglês, sr. Santana, amigo do
dono da Start. Além do Walbercy Camargo, diretor e principal animador,
naquela época estavam lá também o Cesar Sandoval iniciando na animação
fazendo intercalações, o Norio na arte-final, um irmão do Walbercy nas
filmagens e eu que pintava no verso dos acetados. Mas o meu objetivo
naquela época já era história em quadrinhos e então criei o personagem
Severino Espoleta, que viria a ser publicado só três anos mais tarde.
SEVERINO ESPOLETA
Em
janeiro de 1972 o jornalista Roberto Abrahão, então editor do Clubinho,
suplemento infantil dominical do jornal Diário de S. Paulo, inicia a
publicação do primeiro personagem de quadrinhos de minha autoria. O
Sergio Militello ilustrava as capas e algumas páginas de quadrinhos. Eu
passei a utilizar as duas páginas centrais coloridas, publicando todos os
domingos um capítulo das histórias de Severino
Espoleta. Eu tinha 17 anos.
TURMINHA SAPECA
Já no ano seguinte, 1973, entrei para o seleto grupo de autores que
conseguiriam a proeza de colocar uma revista em quadrinhos nas bancas com
distribuição nacional. Lancei pela Editora Saber a Turminha
Sapeca , revista mensal e colorida, com aventuras do trio Severino
Espoleta, Gabiroba e Pixaim. Eu desenhei duas edições mas só a primeira foi
pras bancas. Ainda naquele ano Severino Espoleta passou a se chamar
simplesmente Espoleta e também ganhou cinco páginas como complemento da
revista mensal de aventuras Akim, da Editora Noblet.
ESPOLETA
Em 1974
lancei pela Editora Noblet a revista mensal colorida Espoleta, com
distribuição nacional [CAPA1]
[CAPA2].
O editor Joseph Abourbih chamou o Ivan Saidenberg para me ajudar com os
roteiros (por questões contratuais, o Ivan pediu para colocar no expediente o
nome de sua esposa Theresa, ao invés do seu próprio). Eu criei quatro edições
e parei de desenhar por causa de divergências com o editor. A editora
ainda publicou a revista por mais nove meses, utilizando o título
Espoleta indevidamente e inserindo HQs de Paulo Hamasaki.
DISNEY
Ainda em 1974 o quadrinista e ilustrador Edmundo Rodrigues me apresentou a Jorge Kato, da divisão Disney da Editora Abril,
ainda na Av. Brig. Faria Lima. Depois de um período de treinamento com Jorge Kato e Primaggio Mantovi, passei a
ser frila fazendo desenho e arte-final de histórias Disney. Minha
participação na produção de HQs dos patos foi pequena.
MAURICIO
Ainda
em 1975 fui contratado por Mauricio de Sousa para integrar sua equipe. Nos
primeiros dias eu fui incumbido de fazer o Jotalhão, passava o dia inteiro
desenhando uma página. Lá pelas cinco da tarde o Mauricio encostava na minha
prancheta, apagava tudo e refazia a página toda em dois minutos, explicando
como deveria ser feito. Assim eu acabei aprendendo e fiquei lá cerca de
um ano. Desenhei muitas histórias da Turma da Mônica e muitas tiras do Bidu.
Eu realmente gostava de desenhar aquelas HQs, eu sentia empatia pelos
personagens.
[FOTO1]
[FOTO2]
PEROTTI
Em 1976
fui trabalhar no estúdio de Ruy Perotti. Eu desenhava e finalizava os
personagens das revistas Gabola, Anjoca e Satanésio, de autoria do Perotti e
publicadas pela Abril. Também escrevi alguns roteiros do Gabola. Além de
quadrinhos o Perotti fazia desenhos animados publicitários, sendo os do
Sujismundo e do Variguinho os mais conhecidos. Nesta época tive uma pequena
participação na série animada "Este é um país que vai pra frente".
ABRIL
Em 1977
o Perotti me apresentou ao Izomar Camargo, diretor do Estúdio Capas da Abril,
que agora estava na Rua Bela Cintra, Consolação. Fui contratado e fiquei nove
anos na equipe que criava as capas de todas as revistas da Divisão de
Publicações Infanto-juvenis. O Estúdio Capas [foto]
manteve praticamente a mesma turma durante toda sua existência. A formação
principal foi: o diretor de arte Izomar Camargo, o chefe de arte Luis
Podavin, os desenhistas Napoleão Figueiredo (Napa), Moacir Rodrigues,
Henrique Farias, Paulo Renato da Costa Noeli, José Roberto Gregório (Parceiro),
João Xavier de Campos (Jox), Natalino Ribeiro (Ringo), eu e mais os
assistentes de arte Hideraldo Montenegro, Natanael Aleixo (Natan), Marcos
Minoru, So Hi Kim e ainda o letrista José Belmiro. Eu fazia também alguns poucos frilas
finalizando quadrinhos Disney para o setor do Primaggio. Criei, desenhei e
finalizei capas para revistas Disney, Hanna-Barbera, Bolinha
e Luluzinha, Pantera Cor-de-Rosa, entre outros. Eu desenhei e
finalizei a primeira (e acho que única) história em quadrinhos do
Bolinha produzida no Brasil, publicada pela Abril. Esporadicamente fiz também charges
e cartuns para as revistas de humor Crás e Pancada, da Abril. Ainda durante este período exerci
diversas atividades paralelas. Participei de exposição coletiva no SESC/SP,
salão de humor de Piracicaba, ilustração de livros e revistas, páginas de HQ
para house-organs e suplementos infantis de jornais.
TIRAS
Em 1978 a Abril implantou o Projeto Tiras, um ousado e ambicioso sistema
de distribuição de tiras diárias para jornais de todo o país, com
participação majoritária de quadrinistas ligados à editora, dirigido por Ruy
Perotti e coordenado por Wagner Augusto. Tendo 11 autores e um editor, nunca
tinha sido feito nada parecido no Brasil até então. [FOTO].
O desafio era instituir um sistema comercial de produção e distribuição de
tiras semelhente ao americano, um King Features Syndicate tropical,
com o suporte da poderosa Editora Abril. Dentro desse Projeto criei tiras
do Carrapicho que foram publicadas diariamente por dezenas de jornais de
todo o país durante mais de um ano. Em 1981 o Carrapicho saiu também aos
domingos na Folhinha, suplemento infantil dominical da Folha de S. Paulo.
Com a interrupção do Projeto Tiras da Abril eu ainda consegui manter a
distribuição das tiras por minha conta por cerca de dois anos. Mas sem ter
uma adequada estrutura de operação empresarial eu não consegui
manter o esquema.
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